sábado, 24 de novembro de 2007

Cow Parade



Já vou avisando: eu ADORO as vaquinhas! Acho reclamação sobre a Cow Parade coisa de gente mal amada e sem qualquer senso de humor. Vandalismo nas pobrezinhas, então, nem se fala. Saiu no jornal hoje que uma "terrorista" atacou diversas vaquinhas, escondida atrás de uma máscara de vaca e jogando carne moída (imagino que crua) nas vaquinhas. Já pensaram no cheiro depois de uma hora de carne moída no sol? Êta protestozinho besta! Tanta gente que só come carne uma vez na vida e outra na morte, e essa aí jogando carne em cima das vaquinhas.

De uma das mal-humoradas de plantão ouvi: por que vacas? Respondi que achava que era por causa do tamanho, o impacto visual era grande mas, cá entre nós, se fosse uma "Elephant Parade" ou uma "Hippo Parade" o efeito seria bem maior. Enfim, acho que nem tanto ao céu e nem tanto à terra. A idéia deve ter algo a ver com animais domesticados, e aí surgiu a pergunta: por que não um porco ou uma galinha? A galinha é feia, e se fosse em tamanho natural todo mundo iria tropeçar nelas. Quanto ao porco, aqui no Rio iria causar um problema, iriam achar que era propaganda do Porcão, mas não sei não, uma versão tupiniquim da Cow Parade, uma Pig Parade, podia ficar bem engraçadinho.



Enfim, já vi as vaquinhas em Buenos Aires e São Paulo também, mas as "Cowriocas" ganham em charme de todas elas! Tá bom, vocês vão dizer que eu sou bairrista, sou mesmo e pronto!

Como as minhas fotos estão todas no celular, e ainda não comprei o fio para transferi-las para o computador, vou me apropriando das fotos dos outros com algumas das vaquinhas mais simpáticas, já que a exposição termina depois de amanhã.

O site oficial das vaquinhas é http://rio.cowparade.com/

Algumas das charmosas ruminantes estão por aí, espalhadas pelo texto. As imagens foram retiradas do Flickr, e não têm copyright. A que está aí embaixo é uma das mais populares, foi patrocinada pelo nosso mais famoso "noveleiro" Gilberto Braga e fica em frente ao Copacabana Palace, right next to the Rainbow Kiosk.










Vídeo do Rio Antigo

Na linha do "post" "Saudosismo Carioca" publicado recentemente, aí vai um video do Youtube com um filmete do Rio em 1936. Aliás, o "link" me foi enviado por uma amiga, este eu não descobri sozinha. A cidade está quase irreconhecível. Quanta coisa boa desapareceu, inclusive as borboletas. Será que foi a caça predatória prá fazer os pratinhos de loja de turista?

Eu acho que tem uma besteira no video - o narrador chama a Avenida Atlântica de Beira Mar, mas confesso que tive preguiça de ver de novo para confirmar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Recordar é Viver

Recordar é viver. Hoje em dia isso vale na música mais que tudo. Comprei um CD, coisa rara nestes tempos de eMule e similares e a única música que prestava era "White Horse". No feriadão em Búzios, chuvoso como a peste, em todos os lugares tocava-se música, e o que animava o povo? "White Horse". E eu ria muuuuito!

Sabem porquê?

Porque nestas horas ser uma testemunha ocular da pré-história é muito divertido. Lá pelos idos de 1986, "White Horse" era um verdadeiro hino das boites gay, então é muito engraçado ver hoje um monte de boyzinhos hetero dançando animadamente com este som - só fico imaginando o sucesso que eles fariam há 20 anos.

A versão do YouTube que segue abaixo está censurada. A letra (muito edificante, hahaha) é: if you wanna be rich, you´ve got to be a bitch, rich, bitch, .... e disso não sai, realmente muito edificante.



terça-feira, 6 de novembro de 2007

Muito apropriado para os últimos dias...

Se vocês repararam o último "post", devem ter notado a seqüência de fotos com céu azul cristalino. Bem, levando-se em conta que a primavera carioca lembra mais um dilúvio pré-histórico, peguei-me cantando uma musiquinha bem sixties ao escrever o "post", e não resisti quando encontrei esta versão, deliciosamente enrolada, no Youtube. Se você conhece a letra, ótimo. Se não conhece, acho difícil reconhecê-la com o sotaque da Miriam ("Pata Pata", lembra-se?) Makeba.



segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Saudosismo carioca

Após a leitura da coluna do Joaquim Ferreira dos Santos no Globo de hoje sobre as delícias do Cosme Velho "ilhado" pelos próximos seis meses por causa do fechamento do Rebouças e depois de receber de uma amiga umas fotos de Ipanema e Leblon da década de 60 parei prá pensar que estamos ficando todos uns velhos nostálgicos.

Sem pedir licença (se ela não gostar, retiro as fotos amanhã), reproduzo aqui um Rio menos superlotado (embora o Arpoador já estivesse bem cheinho...).

Nos cinco minutos em que escarafunchei a "net" em busca de fotos do Rio pré-1970 descobri alguns blogs muito legais, deixo os links prá vocês, pois não vou ficar só ficar fazendo corte e cola das fotos dos outros.
Saudades do Rio
Saudades do Rio - o Clone
Fotos do meu bairro, meu país


Lá vão as outras fotos da minha amiga e um clássico dos anos 60, tudo a ver, mas um título para a gente "se situar", pois afinal de contas o superlotado século XXI tem muita coisa boa e aqui ainda não é a China com seus 1,3 bilhões de habitantes (ai que aperto!).


























sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Deu um nó


Depois da chuvarada de ontem e do deslizamento de terra que levou ao fechamento do Rebouças (até sabe-se lá quando, dando um perfeito nó no trânsito), não resisti e pensei no purgatório da beleza e do caos.

Aí vai - ainda estamos longe dos quarenta graus, mas todo o resto se aplica.


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Deu no Freakonomics

Nosso governador não só arranjou encrenca com Deus e todo mundo por suas declarações sobre o aborto mas também não citou a fonte...

Olha só o comentário no blog do Freakonomics (foram eles que originalmente dispararam a polêmica tese de que o aborto reduz a criminalidade). Reproduzo o texto abaixo, mas se você quiser ir ao link original, está num pedacinho de:

http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2007/10/25/freak-tv-was-alan-greenspan-just-lucky/#more-2021


Naked Self-Promotion
Sergio Cabral, the Governor of Rio De Janeiro, has argued that legalizing abortion could be an effective means of curbing crime in the city, which is currently one of Brazil's most dangerous. He based his argument on the chapter in Freakonomics revealing the apparent link between falling crime in the 1990s and U.S. abortion laws.


Decidi dar uma olhadinha no Armazém de Dados da Prefeitura do Rio de Janeiro. Infelizmente, os links para o que eu procurava não estavam lá, a saber, qual a taxa de natalidade por região administrativa. Então, continua aqui a pergunta: será que a taxa de natalidade nas favelas é maior que no asfalto? Eu acho que não.


Mas, existe uma maçaroca de dados bem interessante, que eu vou tentar mostrar abaixo, sem grande "estatiquês". Os dados são de 2002 e foram compilados a partir das tabelas 1023 e 1025 do "Armazém". O que eles mostram? O percentual de mulheres de baixa instrução (menos de 3 anos de estudo) e mulheres adolescentes (com menos de 19 anos) que tiveram filhos no município do Rio em 2002.

O que se conclui? Mais ou menos o óbvio. Nas áreas mais pobres o percentual de mães adolescentes e de baixa escolaridade é maior. O aborto é uma solução? Talvez.

Ordenei os bairros por incidência de partos em mães adolescentes. O resultado está aí...



Os bairros "campeões"? Não devem causar espanto. Campeoníssimos também na miséria.

Notem que se o nosso campeonato fosse pela baixa instrução, a "taça" iria pára outros, Rocinha e Maré competem "neck to neck" neste páreo, o que até me causa algum espanto, pois a minha percepção de habitante ZS é que a Rocinha seria uma favela (oops, perdão, "comunidade") muito mais "afluente" que a Maré.


Em termos destas duas medidas, pode-se perceber "de cara" dois grupos de bairros pobres - num é alta a incidência de mães adolescentes e também de mães de baixa escolaridade (mas não se pode dizer que elas sejam as mesmas pessoas). Num outro grupo de bairros existem muitas mães adolescentes, mas um baixo percentual de mães com pouca escolaridade.


Moral da estória: não dá para generalizar, e portanto também não existe solução única para todos os problemas.